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…Ficou de pé um conceito único: o caso das estrelas variáveis, até agora incompreensível, escapa inteiramente aos métodos ordinários da mecânica celeste…
Quase se admite, por esta simples circunstância, que esta última se não possa erigir em modelo impecável, capaz de se ajustar a toda a arquitetura do universo… E não nos espanta que após estudarem sob incontáveis aspectos, os astros extraordinários, e de assistirem ao despencar escandaloso de tantas explicações, gizadas a esclarecê-los com os nossos conhecimentos atuais, cheguem os cientistas de agora à melancólica conclusão da falência inesperada da astronomia, ante aquelas estrelas flagrantemente rebeldes a todas as analogias oriundas do nosso sistema, e às fórmulas matemáticas mais seguras. Seguimos, de bom grado, neste lance, a arrebatada ousadia de um dos mais belos espíritos da ciência contemporânea.
Como quer que seja, as nossas vidas cosmogônicas dilatam-se; e já não nos maravilha que a alma magnífica de Kepler passasse, com o mesmo entusiasmo fervoroso, do rigorismo impecável das suas linhas geométricas para os êxtases arrebatados dos crentes, consorciando, como nenhuma outra, o espírito científico que nos desvenda o destino das coisas, ao espírito religioso, aviventado pela eterna e ansiosa curiosidade de desvendarmos o nosso próprio destino. E pensamos – maravilhados diante do crescer e do transfigurar-se da própria realidade, que, mesmo na esfera aparentemente seca do mais estreito racionalismo, se nos faz mister um ideal ou uma crença, ou os brilhos norteadores de uma ilusão alevantada, embora eles não se expliquem, nem se demonstrem com os recursos da nossa consciência atual, como se não demonstram nem se explicam, malgrado os recursos da mais perfeita das ciências, os astros volúveis, que pelejam por momentos e morrem indecifráveis, como resplandeceu e se apagou a estrela radiosa, que norteou os Magos no deserto, e nenhum sábio ainda fixou na altura.
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Seguem abaixo alguns testes realizados com areia e brilho para o trabalho Estrelas Cadentes.
Pretendo utilizar apenas uma das cores.

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Seguem fotos do desenvolvimento (as imagens na íntegra estão no flickr ao lado)
Foram realizados testes da ligação do celular ao motor e da velocidade regulada pelo inversor.

material de trabalho para "o transporte": inversor, multímetro, motor, celulares, chaves, alicates, fios, energia elétrica...
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Nas últimas semanas foram realizados diversos avanços técnicos, tanto nas definições de utilização dos motores, quanto nos componentes que se fazem necessários: contatores, temporizadores, placa eletrônica com programação, relays, redutores, etc.
Além dos itens acima, também deixei preparado o espaço para a montagem do protótipo do trabalho, que se dará numa casa em construção.
Farei algumas fotos amanhã e colocarei aqui no blog, para explicar cada item em detalhes.
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A partir do entendimento da minha residência como um processo, resgato aqui algumas páginas do livro “Gesto Inacabado: processo de criação artística” de Cecília Almeida Salles, para incluir o estudo dos processos em meu próprio processo em curso.
De maneira resumida, meu processo tem início com um projeto prático a ser desenvolvido durante minha residência. Ao iniciar o desenvolvimento, submeti esta proposta aos orientadores escolhidos e então comecei a tomar contato com novas referências, pesquisas, artistas, livros (como Políticas do Espaço de José Miguel G. Cortés), entre outros registros. Desta forma, comecei a estabelecer novas relações e elaborações, que além de amadurecer e ter maior clareza sobre o campo em que meu trabalho estava atuando, me levou à sínteses conceituais e estéticas mais precisas. O resultado deste primeiro mês de pesquisa e amadurecimento, tanto em forma de projeto quanto como artista foi a proposta prática “O transporte”, relatada em post anterior.
Segue abaixo o capítulo “Estética do Movimento Criador” de Cecília Almeida Salles.
Publiquei os textos em formato de imagens, por encontrá-las no Google e evitar a redigitação de todas as páginas.
Se preferir, acesse esta leitura em formato de livro digital, aqui: http://migre.me/4JQU
Clique na imagem para vê-la ampliada:
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Após um mês de residência, com orientações e novas referências, segue abaixo o formato final do projeto prático: “O transporte”.
Trata-se da suspensão e movimentação de um piano a partir de ligações de celular feitas por qualquer pessoa, de qualquer lugar. Quem liga para o piano, além de tombá-lo no ar, mais para frente, para trás, para um lado ou para o outro, produzirá um som, próprio do piano, que será amplificado no ambiente.
Haverão 2 números disponíveis que receberão as ligações/interações, cada um deles acionará um tipo de movimento/tombamento no piano. Quem estiver fora do museu e ligar para o trabalho, conseguirá movimentá-lo e também ouvir o ruído gerado.
O trabalho fala da mobilidade contemporânea representada principalmente pelas tecnologias móveis e suas capacidades de transmissão de informação e energia, em contraste à rigidez do piano, seja por suas forma clássica de tocar partituras e composições, seja por seu peso físico.
A música aqui é ruído, extraído de dentro do próprio piano e da movimentação dos motores.
A mobilidade, é controlada, como se o celular fosse paradoxalmente controle e mobilidade.
A virtualidade da transmissão penetra a rigidez física do piano e o suspende no espaço, tornando-o “intocável”.
A relação do piano com os lugares, é de pertencimento, enquanto à do celular é de “Um Lugar Após o Outro” (Título do livro da pesquisadora Miwon Kwon).
Se o piano configura e tem a rigidez de um lugar, é como se o lugar físico fosse deslocado, transportado.
BAIXE AQUI O PDF DO PROJETO COMPLETO
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Seguem alguns vídeos encontrados no youtube, com as esculturas cinéticas de Arthur Gansen. Referência: Rejane Cantoni.
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A fim de pensar a possibilidade de utilização de um piano que seria tocado pelos visitantes, conforme disse no post abaixo, fiz um breve levantamento de alguns trabalhos e entrevistas com John Cage.
John Cage about the silence:
Neste vídeo o artista fala basicamente da música como o espaço do dia a dia, não como a partitura tocada e programada, mas da imprevisibilidade do som e do ruído.
Performance “4’33″
Esta performance, reinterpretada, trata novamente do silêncio e do ruído mas por um caminho que diz respeito aos ruídos sutis gerados por nós, ouvidos somente no momento do silêncio, ao contrário da fala no vídeo acima, onde Cage chama à atenção para o barulho dos caminhões.
John Cage, performance musical com elementos caseiros:
Nam June Paik “Piano”
Sonoridade de:
Concerto for Prepared Piano and Chamber Orchestra 1/3 – John Cage
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Outra referência muito importante, já colocada no post abaixo, foi Rebecca Horn – Concert For Anarchy, 1990. Neste trabalho a artista suspende um piano e o programa para se movimentar de tempos em tempos, emitindo um som, desmontando e remontando o piano.
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Por último, para pensar a utilidade dos aparelhos de celular hoje, listo abaixo alguns de seus usos em forma de brainstorm:
tecnicamente
. comunicação verbal (oral e escrita);
. comunicação sonora (ringtones e mp3);
. comunicação sensória (vibracall);
. comunicação visual (fotografia e vídeo);
. transmissão de dados (bluetooth, infravermelho, 3G/internet, sms, mms);
. comunicação eletrônica com outros dispositivo a partir da transferência de energia;
. aplicativos internos (jogos, players, widgets, utilitários, etc.);
. geolocalização (seja pela possibilidade de triangulação ou sistema de gps integrado);
conceitualmente (brainstorm)
Neste tópico haveriam infinitas interpretações, mas colocarei aqui apenas algumas que considero principais:
. transmissão de dados, comunicação, informação, energia, de um lugar qualquer para qualquer outro lugar onde tenha sinal; de qualquer pessoa a qualquer outra pessoa pontualmente ou em rede;
. mobilidade (posso sair do lugar onde estou e continuo conectado, continuo on. não dependo mais de uma estação física fixa);
. inserções de privacidade dentro do espaço público;
. interação com o espaço físico da estrutura das cidades ou das residência;
. incômodo da conexão, estar o tempo todo recebendo chamadas, seja num jantar ou numa aula.
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Apesar da formatação da primeira proposta estar bem avançada, exceto pela criação de um tensionamento maior para o trabalho, que questiono até que ponto ele é necessário para este tipo de poética, seguem abaixo as novas idéias e projetos que estão se formando.
De acordo com Gilbertto, um dos pontos chave, seria a criação de uma forma estável atuando numa espécie de instabilidade. Na fragilidade da forma. Projeto enquanto possibilidade.
Sob este ponto, do projeto como possibilidade, Rejane complementa e acha que os avanços criados abaixo, nos levam neste sentido. De uma poética de algo que não está dado como “isso = isso”, mas atua na possibilidade do vir a ser “isso ou aquilo”.
Novas referências
Nesta versão do projeto as pessoas seriam convidadas a tocar um piano com os seus aparelhos de celular e na medida que este piano fosse sendo tocado, ele seria suspenso em movimentos que hora virariam ele para um lado, hora para o outro, etc., emitindo assim sons diferentes e tensionando cada vez mais o trabalho.
O trabalho atua conceitualmente numa linha entre a mobilidade dos celulares e a fixidez do piano, entre a rigidez do piano para o deslocamento e o visitante com uma ligação, aciona o deslocamento do piano. Além, é claro, das questões estéticas e poéticas de ver um piano suspenso no ar. É também um piano que por estar suspenso, seria intocável, mas que passa a ser habilitado a partir das tecnologias de transmissão via celular. Quando ele chega no topo, talvez volte a descer, dependendo da complexidade de desenvolvimento desta descida.
O trabalho envolveria um engenheiro que assegurasse a fixidez sob as cordas. O piano seria comprado e não seria o de calda, devido ao valor. Um piano custa em média “armário” custa em média hoje 2500 reais.
A cada mensagem de celular enviada ao trabalho, um novo som é gerado e uma nova posição do piano é assumida.
Uma dúvida que me ocorreu foi a força que teria o piano suspendo, num espaço em que o pé direito tem apenas 3m.


















