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…Ficou de pé um conceito único: o caso das estrelas variáveis, até agora incompreensível, escapa inteiramente aos métodos ordinários da mecânica celeste…
Quase se admite, por esta simples circunstância, que esta última se não possa erigir em modelo impecável, capaz de se ajustar a toda a arquitetura do universo… E não nos espanta que após estudarem sob incontáveis aspectos, os astros extraordinários, e de assistirem ao despencar escandaloso de tantas explicações, gizadas a esclarecê-los com os nossos conhecimentos atuais, cheguem os cientistas de agora à melancólica conclusão da falência inesperada da astronomia, ante aquelas estrelas flagrantemente rebeldes a todas as analogias oriundas do nosso sistema, e às fórmulas matemáticas mais seguras. Seguimos, de bom grado, neste lance, a arrebatada ousadia de um dos mais belos espíritos da ciência contemporânea.
Como quer que seja, as nossas vidas cosmogônicas dilatam-se; e já não nos maravilha que a alma magnífica de Kepler passasse, com o mesmo entusiasmo fervoroso, do rigorismo impecável das suas linhas geométricas para os êxtases arrebatados dos crentes, consorciando, como nenhuma outra, o espírito científico que nos desvenda o destino das coisas, ao espírito religioso, aviventado pela eterna e ansiosa curiosidade de desvendarmos o nosso próprio destino. E pensamos – maravilhados diante do crescer e do transfigurar-se da própria realidade, que, mesmo na esfera aparentemente seca do mais estreito racionalismo, se nos faz mister um ideal ou uma crença, ou os brilhos norteadores de uma ilusão alevantada, embora eles não se expliquem, nem se demonstrem com os recursos da nossa consciência atual, como se não demonstram nem se explicam, malgrado os recursos da mais perfeita das ciências, os astros volúveis, que pelejam por momentos e morrem indecifráveis, como resplandeceu e se apagou a estrela radiosa, que norteou os Magos no deserto, e nenhum sábio ainda fixou na altura.
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